quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Milton Bivar publica carta.

Na manhã desta quarta-feira (24), o ex-presidente do Sport, Milton Bivar, publicou uma carta na qual faz esclarecimentos sobre sua gestão e revela valores de dívidas do clube, assim como de cotas de televisão e do Clube dos 13, entre outras informações. Confira o texto na íntegra:

"Como ex-presidente, conselheiro, sócio e torcedor do Sport Club do Recife, me senti obrigado e no direito de me pronunciar mais uma vez sobre os assuntos de meu clube, num momento tão conturbado como o atual. Passei muito tempo calado para não ser acusado de oportunista, pois o Sport estava disputando competições com reais chances de classificação. Meu intuito é esclarecer mais alguns pontos acerca da gestão de nosso clube, como fiz em minha primeira carta aberta a nossa torcida. Espero ser conclusivo dessa vez, pois entendo que o momento atual é de muito trabalho, manutenção de uma base que já foi vitoriosa no passado, e que pode nos levar de volta à Série A.

Na Gestão atual, – vi coisas erradas, como a constante tentativa de responsabilizar gestões passadas, personalizando dívidas, entre outras acusações. Vi tentativas de intimidação através do uso de um termo muito utilizado na aviação civil, em momentos de desastre e tragédias: “caixa-preta”. Não sei se era um prenúncio ou mau agouro. Este método foi muito utilizado, em tempos passados, por aparatos ditatórias, desde o nazismo na Alemanha, ao “Carlismo” na Bahia. Este artifício cala quem tem rabo preso. No meu caso, chego aos 58 anos de idade sem nunca ter sido processado na esfera cível, criminal, fiscal ou outra qualquer. A internet hoje permite a um cidadão ter acesso a todas as informações das esferas que citei. No futebol vi coisas erradas na saída de Nelsinho Batista, e na forma como tudo ocorreu. Assim como achei equivocada a vinda do treinador Leão. Assisti também a saída de diretores que fizeram parte de nosso grupo em minha gestão.

Coisas certas também foram feitas. A principal foi a continuidade da gestão financeira com responsabilidade, encarando débitos. Vi também a chegada de rubro-negros com vontade e disposição de ajudar o clube, “sangue novo”, assumindo cargos e funções, tais como Aluisio Dubeux (que sempre nos ajudou), Francisco Guerra, Aluisio Maluf, Marta Lima, Augusto Carreras (que mesmo tendo saído demonstrou amor ao clube), entre outros.

Sobre as dificuldades financeiras do Sport. As dívidas…

Nunca disse em momento algum que o Sport tinha se tornado um Barcelona, São Paulo ou Internacional, clubes superavitários e sem dívidas, por obra de minha gestão. Sempre ressaltei que estávamos no caminho para isso, com as constantes ações tomadas para sanear as finanças do clube, estancando ações trabalhistas, e não gerando novas dívidas. Nunca me assustei com débitos do Sport, pois sempre estiveram sob controle durante nossa gestão.

Sobre débitos de gestões passadas,

Nunca personalizei dívidas durante minha passagem na presidência, tais como Banco Central, Emerson Leão, Nei, Leomar, Sangalete, Saulo, entre outras. Sempre encarei as mesmas como passivo do Sport, sobre os quais tinha responsabilidade de ajudar a quitar. Buscar personalizar estas ações, significa a quebra da corrente, e do esforço de estancar estes débitos, fazendo com que o Sport permaneça nesse ciclo vicioso. Isto garante que parcelamentos feitos numa gestão, com prazos dilatados, devem sempre ser honrados pelas gestões seguintes. Ou então perderemos uma credibilidade que resgatamos a duras penas em minha gestão.

E sobre as dívidas elencadas pelo presidente atual em sua carta a torcida. Vou responder nos mesmos pontos citados:

1. A folha de Novembro/2008 foi paga conforme boletim/demonstrativo financeiro de número 254 no valor de R$ 724.222,00 Como de praxe os salários no clube sempre são pagos no mês subseqüente. Logo a folha de Dezembro/2008 deveria ser paga até o dia 25/01/2009;

2. As premiações de 2008 seriam pagas nos acordos e rescisões dos jogadores e comissão técnica (sendo esse o maior valor). Claro que alguma parte ficaria para ser paga durante o ano de 2009;(R$ 800.000,00 Copa do Brasil pagas em 08/07/2008-Boletim/Financeiro número 189);

3. Estes empréstimos referem a contratação e renovação de atletas que se faziam necessários, tais como Igor, Andrade, Fumagalli, Luciano Henrique e outros;

4. Estes encargos salariais foram abatidos em parte com um crédito tributário do clube junto ao INSS;

5. Referem-se a atletas que fizeram acordo com o clube neste período, tais como Enilton, Everton, Fabio Gomes, Francisco Alex, Junior Maranhão e outros, que saíram do clube com todos os diretos acertados;

6. Parte deste saldo é pré-existente desde que assumi o clube, embora tenham sido utilizados R$ 400.000,00;

7. Esse empréstimo foi contraído antes de minha gestão e a maior parte foi paga na minha gestão.

Sobre o treinador:

Nelsinho Batista não era minha primeira opção. Dorival Júnior foi e era minha primeira opção, pois tornei-me amigo pessoal do mesmo. Quando da contratação de Nelsinho, pedi que o mesmo viesse a Recife para conversarmos, e ele me impressionou de pronto, principalmente quando me questionou se haveria algum problema ético em trazer o preparador físico Eduardo Batista, seu filho, e excelente profissional. A partir daí desenvolvemos um excelente trabalho em parceria e um planejamento exemplar para os anos seguintes. Pena que não pudemos executar.

Sobre as contribuições de sócios e conselheiros:

Quanto ao assunto da contribuição dos sócios, minhas expectativas em relação a 2009 eram bastante superiores ao observado em 2008. Não foi o que observamos. Já no caso da contribuição dos conselheiros, confirma-se a previsão de receita que declarei em minha carta anterior.

Contrato de patrocínio:

O contrato com o Cimento Nassau, foi o maior já negociado pelo clube. E acho que esse ano foi também o maior do Norte/Nordeste. Foi negociado pessoalmente por mim e Carlos Frederico junto ao Sr. João Noronha, embora nunca tenha negado o prestigio de meu amigo Gustavo Dubeux, junto a Nassau, o que sempre favoreceu o andamento das negociações.

A verdade sobre os adiantamentos da verba do Clube dos 13:

Gostaria de me deter mais um pouco, pela importância e valores em questão:

1. Quando assumi o clube nossa cota era de R$ 10.600.000,00;

2. Existia já um débito histórico de várias gestões no valor de R$ 1.850.000,00, que foi negociado em 30 parcelas de aproximadamente R$ 61.666,00 sem juros. Esta forma era franqueada a maioria dos clubes pertencentes ao Clube dos 13.

3. Havia um débito (saldo negativo) registrado junto ao Clube dos Treze de mais R$ 931.000,00;

4. Havia também um débito de R$ 4.000.000,00 (num aval bancário no Bic Banco), que estava sendo pago de forma parcelada. Isso gerou um pagamento de juros na ordem de R$ 700.000,00;

5. Existia um débito de R$ 1.200.000,00 junto ao CAP referentes às contratações de Jadilson e Durval (parcial) totalizando R$ 6.831.000,00;

6. Em seguida assumi mais um débito de R$ 1.250.000,00 das contrataçlões de Cleber e Washington, e mais a segunda parcela de Durval e mais R$ 650.000,00 de Celso Roth.

Mais uma vez confirmo apenas um adiantamento de R$ 2.000.000,00 feitos diretamente ao Clube dos 13, feito durante 2 anos no meu mandato, para pagar despesas de final de ano, onde as receitas diminuem e as despesas aumentam muito.

A verdade sobre antecipações das cotas do campeonato pernambucano até 2014:

Não é verdade que as cotas foram antecipadas.
As negociações para aumento das cotas foram capitaneadas por mim e meu departamento de marketing. O resultado dessas negociações beneficiou os demais clubes do estado. O contrato original contemplava um valor de apenas R$ 190.000,00 que passou imediatamente depois dessa negociação para: R$ 1.220.000,00 máximo.

1. Incentivo Produtividade – Campeão R$ 150.000,00 e Vice R$ 100.000,00;

2. Premiação pela permanência na Série A – R$ 600.000,00;

3. Direitos de Transmissão – R$ 150.000,00;

4. Prisma publicitários em campo – R$ 100.000,00;

5. Compra de Ingressos – Clássicos R$ 50.000,00/jogo e outros R$ 30.000,00/jogo.

A parte adiantada até 2014 para todos os clubes de PE, por força do contrato com a Globo, foi a referente aos prismas publicitários em campo (um pleito pioneiro do Sport nesta negociação com a Globo, pois em nossa visão deveria se ter o mesmo tratamento que temos no brasileiro da Série A).

Isso poderia representar até R$ 1.220.000,00 no ano, caso o campeão do PE permanecesse na Série A.

O que ficou para o Sport este ano foi:

1. Premiação do campeonato – R$ 150.000,00

2. Premiação por permanência na Série A – R$ 300.000,00(receberá metade devido ao rebaixamento);

3. Direitos de Transmissão – R$ 150.000,00;

4. Compra de ingressos (2 clássicos) R$ 100.000,00 e (4 outros) R$ 120.000,00;

Isto dará um total de R$ 820.000,00 .

Quanto custou o CT de Paratibe e como foi pago:

No caso do CT de Paratibe o valor de aquisição, depois de escriturado, foi de R$ 2.375.000,00, ficando apenas um saldo devedor para a gestão seguinte de 11 parcelas de R$ 20.000,00.

Quanto a venda da área de Igarassu, (adquirida em minha gestão), digo que sou totalmente contra a venda de qualquer bem do clube, mesmo auferindo lucro.

Por fim: Repito mais uma vez que espero com estas declarações, encerrar as polemicas acerca desses anos no Sport Club do Recife. O momento agora é trabalhar para fazer de 2011 um ano de soerguimento de nosso clube. Lamento o prejuízo incomensurável que foi o rebaixamento a Série B. Isso com certeza prejudicará bastante nosso processo de recuperação financeira. Amo o Sport como todo torcedor, do mais humilde ao mais rico. E nunca me achei superior nesse sentimento a ninguém. Sou casado há 33 anos, tenho 3 filhos, assim como a maioria das pessoas não privatizo o amor que tenho pelos meus pais, minha mulher, meus filhos, familiares, meus amigos que são muitos e que os guardo a sete chaves.

Recife, 24 de novembro de 2010

Milton Bivar"

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